Letter 6: For society to understand our occupation: The struggle continues

May 10, 2013

Letter  6: For society to understand our occupation: The struggle continues

We occupied the main construction site of the Belo Monte Dam for eight days. We want the law on consultation to be properly defined and regulated. And until there is proper consultation of the Indigenous groups we want the suspension of all works and studies on the Xingu, Tapajos and Teles Pires dam projects, of which we were not consulted.

Yesterday the judiciary ruled that we were to be removed from the construction site.

During the occupation the government barred people from entering, censored journalists, prevented lawyers from assisting us, and did not even allow us to bring in charcoal to cook our food. Cars with health workers were locked out and had to go in foot. You did not let us build a radio so that we could talk to our relatives and which left our families worried.

We were constantly surrounded by the Military Police, Rotam, Shock Troops, National Force, Federal Police, Civil Police, Army and Federal Highway Police. And the managers and heads the Norte Energia were constantly intimidating and pressuring us.

You tried to choked the press with lies. You made phone calls pressuring and intimidating journalist. As always, you pushed and manipulated our relatives, trying to put us against each other.

We feel afraid of what might happen, as the deputy head of the Federal Police (responsible for the report on which was based the horrible decision of federal judge Selene Almeida) is the wife of attorney Norte Energia, the plaintiff wanted to withdraw it from there .

We were forcibly removed from the construction site. A force even greater than the weapons of their army.

Our departure was peaceful because we decided that it would be peaceful. It was clear that the government would do whatever was necessary to get us to leave. We left because we were forced. We waited a week for the government to arrive and no one came. We eventually understood that they would not come and that they would only keep sending police. We saw the cops holding their guns, bombs and shields in front of us. And we knew what that meant.

We left unsatisfied.

You tried to say that our agenda was just about the dam in Tapajós River. Our struggle refers to a dozen dams on three rivers and this struggle did not end just because we were taken out of the occupation.

Our fight is starting again and that’s a victory. A victory that is ours – it is not a victory of the justice system or of the government. The government does not know the indigenous peoples. Things are bad in Brazil. And we will change that.

Altamira, May 10, 2013

 
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Lunae Parracho
foto ~ Lunae Parracho
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maio 10, 2013

Carta n. 6: para a sociedade entender nossa ocupação; a luta continua

Nós ocupamos por 8 dias o principal canteiro de obras da usina hidrelétrica Belo Monte. Queremos a consulta prévia e a suspensão de obras e estudos das barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, sobre as quais não fomos consultados.

Nós fomos retirados ontem do canteiro por uma decisão judicial.

Durante a ocupação, vocês barraram pessoas, censuraram jornalistas, impediram advogados, não deixaram entrar carvão para cozinhar nossa comida. Carros com agentes de saúde fora bloqueados, tiveram que entrar a pé. Vocês não nos deixaram montar nosso rádio para falarmos com nossos parentes, e nossas famílias ficaram preocupadas.

Vocês nos sitiaram com a Polícia Militar, Rotam, Tropa de Choque, Força Nacional, Polícia Federal, Polícia Civil, Exército e Polícia Rodoviária Federal o tempo todo. Gerentes e chefes da Norte Energia e Consórcio Construtor Belo Monte nos assediavam, intimidavam e pressionavam.

Vocês tentaram nos sufocaram com mentiras na imprensa, com telefonemas pressionando e intimidando parceiros e jornalistas. Como sempre, vocês pressionaram e manipularam parentes nossos, tentando nos colocar um contra os outros.

Nós sentimos medo do que poderia acontecer, já que a delegada-chefe da Polícia Federal (responsável pelo relatório no qual foi baseada a decisão horrível da desembargadora Selene Almeida) é esposa do advogado da Norte Energia, autor da ação que queria nos retirar de lá.

Nós fomos retirados à força do canteiro. Uma força maior ainda que a das armas do seu exército. A reintegração não foi suspensa. A Justiça deu 24 horas para sairmos do canteiro, e só soubemos disso quando chegamos em Altamira, escoltados pela Polícia Federal.

Nossa saída foi pacífica porque nós decidimos que ela fosse pacífica. Ficou claro que o governo faria o que fosse necessário fazer com a gente para nós sairmos. Saímos porque fomos obrigados. Nós esperamos uma semana a chegada do governo, e nada. Entendemos, então, que ele não iria vir de qualquer jeito – mas ia continuar mandando policiais. Nós víamos os policiais cantando pneu coçando suas armas e bombas e escudos na nossa frente. Sabemos o que isso significa.

Nós saímos insatisfeitos.

Vocês tentaram forçar nossa pauta como sendo apenas sobre uma hidrelétrica no rio Tapajós. Nossa luta se refere a uma dúzia de barragens nos três rios, e ela não acabou porque fomos retirados do canteiro.

Nossa luta está recomeçando, e isso é uma vitória. Uma vitória que é só nossa – não é da Justiça e nem do governo. O governo não sabe governar indígenas. As coisas estão ruins no Brasil. Nós vamos mudar isso.

Altamira, 10 de maio de 2013

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